Há quem acredite que a filha vai se casar
virgem. Outros são da teoria de que "o que os olhos não veem, o coração
não sente".
Alguns, mais corajosos, defendem que os
filhos(as) levem os namoradas(os) para dormir em casa, assim estarão mais
seguros.
Mas até o pai mais moderno costuma sentir um
aperto no peito quando a filha vira para ele e diz: "já está tarde para
meu namorado ir embora. Ele pode ficar em casa?".
Qual resposta deve ser dada em uma hora
dessas? Quais os limites devem ser impostos?
O UOL Comportamento conversou com
especialistas para ajudar a resolver o dilema familiar da melhor forma
possível.
Deixar
ou não deixar? Eis a questão
"É importante se questionar para perceber se há espaço para que isso aconteça", diz a psicóloga Lélia Reis, pesquisadora do grupo Sexualidade Vida (CNPq/USP).
"É importante se questionar para perceber se há espaço para que isso aconteça", diz a psicóloga Lélia Reis, pesquisadora do grupo Sexualidade Vida (CNPq/USP).
"Você pode ouvir barulhos no meio da
noite e, se os relacionamentos não durarem muito tempo, terá que se acostumar
com a rotatividade".
Se a resposta não estiver na ponta da língua
quando o adolescente o questionar, não dê desculpas nem mude de assunto.
"Se não dá conta, seja honesto",
diz Lélia. "Diga que irá pensar numa saída, mas que não se sente à vontade
ainda".
Para a psicóloga Marina Vasconcellos,
especializada em psicodrama, é melhor só permitir que namorados durmam em casa
quando os filhos estiverem mais perto da maioridade.
“Muitos jovens estão aquém da maturidade
emocional exigida para o sexo e seguem os instintos sem saber as consequências
do que estão fazendo”, diz ela. "Estimular a vida sexual tão cedo não é
bom".
Se
eu permitir, eles perderão o respeito por mim?
“Dificilmente. A menos que os pais sejam totalmente liberais ou não tenham educado seus filhos para os respeitarem”, diz Marina.
“Dificilmente. A menos que os pais sejam totalmente liberais ou não tenham educado seus filhos para os respeitarem”, diz Marina.
É importante que os pais do jovem,
independentemente de continuarem casados ou não, cheguem a um consenso sobre
como vão lidar com a situação e passem as mesmas normas para os filhos.
Se as regras forem estabelecidas com clareza,
não há com o que se preocupar.
"Eles só perdem o respeito se não houver
limites", diz a psicanalista e sexóloga Maria Alves de Toledo Bruns, líder
do grupo de pesquisa Sexualidade e Vida.
"Não dá para ter uma pessoa diferente
por dia saindo do quarto do seu filho ou pegá-lo no sofá da sala com
alguém".
Você deixaria seus filhos adolescentes transarem em casa?
Você deixaria seus filhos adolescentes transarem em casa?
Devo
impor regras?
Sim, sempre. "Os filhos até esperam por isso, pois sentem que estão sendo cuidados", diz Marina Vasconcellos.
Sim, sempre. "Os filhos até esperam por isso, pois sentem que estão sendo cuidados", diz Marina Vasconcellos.
"Eles encaram como uma falta de atenção
quando os pais são muito permissivos".
Depois de chegar a uma conclusão com seu
parceiro e estabelecer quais são os limites, dias e horários permitidos, é bom
deixar claro para os filhos o que pode ou não ser feito.
"É importante que os pais tenham
informações sobre quem é o namorado ou a namorada, ter contato com a família e
até ligar para avisar quando a pessoa for dormir em casa", diz a
psicanalista e sexóloga Maria Bruns.
Para ela, a maior preocupação deve ser ao
decidir até que ponto a intimidade da família deve ser compartilhada com uma pessoa
de fora. "Levar alguém que encontrou na festinha ou no barzinho é muito
precipitado".
Que
conversas ter?
"“Você percebe a maturidade dos filhos pelas conversas", diz Marina. "Se eles já têm idade para fazer sexo, têm idade para dialogar".
"“Você percebe a maturidade dos filhos pelas conversas", diz Marina. "Se eles já têm idade para fazer sexo, têm idade para dialogar".
Além do papo sobre doenças sexualmente
transmissíveis, gravidez, prevenção e métodos contraceptivos, outros assuntos
devem ser abordados.
Para Lélia Reis, é essencial também falar
sobre relacionamentos e sentimentos.
"Diga como lidar quando a pessoa não
liga no outro dia, fale sobre inseguranças com o corpo e explique para a menina
que o homem não vai achá-la fácil se ela tiver camisinha na bolsa", diz.
Os pais também devem levar o filho ao
urologista e a filha ao ginecologista para acompanhar o desenvolvimento e ajudar
a esclarecer questões.
Como
não deixá-los constrangidos com o papo?
"Converse da maneira mais natural possível, assim eles encararão de uma maneira tranquila", diz Marina Vasconcellos.
"Converse da maneira mais natural possível, assim eles encararão de uma maneira tranquila", diz Marina Vasconcellos.
O problema é que essa naturalidade não surge
da noite para o dia. Não adianta mudar de canal cada vez que vê uma cena
picante na novela ao lado do filho e, uma semana depois, vir com papo sobre
camisinha.
"A família cria seus próprios tabus ao
longo do processo educacional", diz a sexóloga Maria Bruns. "E o
diálogo deve ocorrer antes da adolescência".
Para ela, o ideal é aproveitar oportunidades
ao ver filmes, novelas ou noticiários ao lado dos filhos.
Até mesmo histórias de pessoas próximas podem
servir como um pretexto para comentar sobre sexo -sempre aos poucos e no tom de
conversa, não de lição.
"Deixe claro que o filho tem a liberdade
para falar sobre isso ou não. A confiança é conquistada desde a infância, aos
poucos", conclui Lélia.

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