O trabalhador rural Sem Terra Pedro Bruno foi
assassinado na manhã desta segunda-feira, (02) com vários tiros, próximo ao
engenho Pereira Grande, no município de Gameleira, Zona da Mata Sul de
Pernambuco.
Pedro Bruno fazia parte do Assentamento Dona
Margarida Alves, e se dirigia a outro assentamento, Frescudim, ambos no
município de Gameleira, quando foi alvejado por vários tiros. A polícia foi
avisada pela família, mas não teria comparecido ao local imediatamente.
O MST acredita que o assassinato de Pedro Bruno
tenha sido uma retaliação à reocupação do engenho Pereira Grande, que ocorreu
na madrugada de domingo (01/04).
O engenho Pereira Grande pertence à Usina
Estreliana, e é uma das áreas mais emblemáticas de conflitos de terra em
Pernambuco. A área foi declarada de interesse social para fins de reforma
agrária em novembro de 2003, mas depois de uma série de recursos impetrados, a
Usina barrou o processo de desapropriação quando a Ministra Ellen Gracie, então
presidente do Supremo Tribunal Federal, que havia dado imissão de posse da área
ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) uma semana
antes, reviu sua decisão e determinou que a imissão de posse e o seguimento da
ação de desapropriação só poderão se dar após o julgamento final do processo. O
caso está, desde então, pendente na Justiça.
A Usina Estreliana é acusada de vários crimes
trabalhistas. Em janeiro de 2010, o proprietário da Usina, Gustavo Costa de
Albuquerque Maranhão, que havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal
(MPF), foi condenado a quatro anos e meio de reclusão, por deixar de repassar
ao INSS, durante 18 meses, as contribuições previdenciárias recolhidas no valor
de mais de R$ 600 mil de seus empregados. As informações são do MST.
No último dia 8 de março, cerca de 200 mulheres do
MST realizaram um ato na engenho Pereira Grande, exigindo a desapropriação da
área e condenando as consequências econômicas e sociais do monocultivo de cana
na região. Na ocasião elas foram cercadas por pistoleiros do engenho que
disparara vários tiros contra as camponesas.
Assassinatos
No dia 23 de março de 2012, o trabalhador rural Sem
Terra Antônio Tiningo foi assassinado em uma emboscada quando se dirigia para o
acampamento da fazenda Açucena, no município de Jataúba, agreste de Pernambuco.
Tiningo era um dos coordenadores do MST na região.
No mesmo dia, pistoleiros atiraram contra famílias
Sem Terra acampadas próximo à fazenda Serro Azul, no município de Altinho,
também no agreste de Pernambuco. Duas mulheres e uma criança foram atingidas.
Em outubro do ano passado, o trabalhador rural Sem
Terra José Amaro da Silva, desapareceu na zona da mata de Pernambuco quando
saía do acampamento do MST no Engenho Brasileiro, município de Joaquim Nabuco,
mais umas das áreas de conflito agrária do estado.
O MST e organizações de direitos humanos como a
Terra de Direitos vem denunciando amplamente a violência no campo em
Pernambuco: pistoleiros recebem R$ 50,00 por dia para atirarem contra
trabalhadores rurais Sem Terra; fazendeiros andam armados e ameaçam
agricultores até mesmo em suas próprias casas; a polícia atua como segurança
privada de fazendas, intimidando e ameaçando famílias Sem Terra; delegados,
juízes e promotores legitimam o uso de violência e de milícias armadas por
parte de proprietários de terra; trabalhadores rurais desaparecem e são mortos
em emboscadas, acusa o MST.

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